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Vagabond

Vagabond

jan 5, 2017

Mesmo que você não seja afeito a leitura de mangás, os famigerados quadrinhos japoneses – me perdoem a expressão, mas foi inevitável usar -, há uma grande chance de já ter ouvido falar desse titulo memorável do formato, até porque, seu sucesso dentro e fora do Brasil tornaram Vagabond, do talentosíssimo mangaka Takehiko Inoue, uma das representações mais fortes dessa área no Ocidente na época contemporânea, demonstrando de maneira sublime como esse tipo de produção pode ser épica, em vários termos envolvidos na forma de contar uma história abrangida pela expressão da nona arte. A relevância de Vagabond já começa em sua origem. O título, da maneira como foi concebido, praticamente resgatou o interesse de seu autor pela produção de mangás, algo digno de nota, visto o talento e qualidade geral da composição de Inoue. Ademais, a obra trata de um tema muito recorrente no Japão, obviamente, mas foi capaz de renovar esse tipo de história, criando uma nova era para a narrativa dos dramas vividos no período dos samurais. Bom, antes de abordar de maneira mais profunda os aspectos que fazem desta uma obra memorável, vamos a sinopse da mesma: 

Em 1600 d.C., o Japão passa por um dos períodos mais turbulentos de sua história. O jovem Takezo, ao lado de seu amigo Matahachi, deixa a vila Miyamoto para lutar na Batalha de Sekigahara. Embora sonhem com fama e glória, eles somente encontram a derrota e um caminho repleto de incertezas. Acompanhe a jornada de combates sanguinolentos e desafios espirituais desse destemido espadachim, que ficou conhecido pela posteridade como o grande samurai Miyamoto Musashi (1584-1645)! Este clássico dos quadrinhos é uma das obras mais premiadas e fiéis à lenda de um grande herói do Japão!

Você desafiaria um cara com essa expressão de confiança e uma katana nas mãos?!

Você desafiaria um cara com essa expressão de confiança e uma katana nas mãos?!

A série começa, imediatamente, após o fim da Batalha de Sekigahara, um dos conflitos mais relevantes da história do japão. Desta forma, o quadrinho flerta de maneira intrínseca com a história do país. Estado ao lado perdedor, o jovem Takezo (que mais tarde se tornaria Musashi), um dos poucos sobreviventes do conflito, encontra seu amigo Matahachi ainda vivo, no campo de batalha, e decide levá-lo de volta a sua vila de origem. No entanto, sair do território onde ocorreu o épico conflito já se mostra um desafio fenomenal. Porém, diante dos perigos encontrados já nas primeiras páginas do mangá, Takezo demonstra uma habilidade, e ferocidade, incríveis, capazes de surpreender até mesmo guerreiros bem mais velhos e experientes. Inoue escolhe apresentar seu protagonista bem as poucos, embora deixe claro o seu talento para o combate desde os primeiros momentos da narrativa. Nesse momento, o jovem Musashi, então com apenas 17 anos, inicia sua trajetória em busca de tornar-se o melhor guerreiro do Japão. 

A inspiração de Takehiko Inoue para escrever a trama, veio logo após sua leitura de Musashi (1935), a obra mais extensa, fidedigna, e reconhecida sobre a história de vida do samurai, escrita por Eiji Yoshikawa. Sendo assim, a criação do mangá já demonstra uma qualidade essencial, desde sua influência inicial, pois a obra do citado autor constitui uma narrativa bela, ágil, e densa, não apenas no aspecto mais superficial do combate, mas também pela substância que compõe a natureza da alma do guerreiro, algo intrínseco a jornada de Musashi. Desta forma, Inoue fez de sua narrativa um misto muito bem dosado de ação – que ele descreve de maneira magistral em sua arte -, filosofia, conflitos, e dramas humanos. Ora, logo no primeiro volume, a amizade de Takezo e Matahachi evidencia o melhor, e o pior, da relação entre os dois jovens, e a sociedade japonesa da época. Assim, são explorados conceitos fortes e bem definidos, como honra, traição, amor, preconceito, e poder.

Musashi em um dia comum de treino decepando cabeças de adversários!

Musashi em um dia comum de treino decepando cabeças de adversários!

Um ponto que não pode ser esquecido ao abordar-se a obra em questão, é a arte de Takehiko Inoue, algo simplesmente fantástico. Talvez, o motivo mais evidente para a grande relevância do mangá tanto no Japão, quanto no mundo. Enquanto o enredo demonstra uma maturidade e boa execução, dignas de nota, a arte de Inoue encanta logo a primeira vista. Mestre na narrativa de ação, surpreende também pela competência dos cenários apresentados, tornando sua trama completa, algo único, e facilmente reconhecível como sendo de sua lavra. Até mesmo as partes em preto e branco – grande maioria do mangá -, apresentam sua beleza singular, graças a competência no uso do contraste entre as duas cores.

A obra começou em 1998 e, desde então, tem conquistado prêmios, leitores, e mercados mundo afora. Seus mais de 82 milhões de cópias vendidas (muito mais no momento, imagino), não apenas atestam a qualidade do mangá, mas também revelam que uma boa narrativa independe de formatos e aceitação do público, vai bem além disso. Tanto que, no Brasil, Vagabond tornou-se a leitura inicial de muitos apreciadores de quadrinhos não tão afeitos ao conceito japonês da nona arte.  Fato é, que a apreciação do mangá é quase obrigatório para quem adora uma narrativa bem contada, aliada a uma arte incrível, e um texto recheado de significado e competência.

Quer aprender sobre narrativa em quadrinhos? Pois, toma

Quer aprender sobre narrativa em quadrinhos? Pois, toma essa sequência!

No Brasil, o título foi publicado inicialmente pela Conrad, entre 2001 e 2006. Porém, uma série de problemas com a continuidade deixou a obra no limpo por algum tempo. Mais tarde, sairia também pela editora Nova Sampa, em 2014, não chegando muito longe. No começo de 2016, Vagabond chegou a Panini e foi publicada, pouco tempo depois, com uma edição muito bem acabada – a melhor até hoje, sem dúvidas -, de forma mensal, em parceria com a Planet Mangá. Ou seja, seja num sebo ou livraria próxima, oportunidades não faltam para conferir essa história fantástica, basta correr atrás. 

2 Comentários

  1. Li os três primeiros e é fantástico mesmo! Querendo muito ler o resto, esperando o cartão virar pra comprar mais alguns em alguma promoção por ai, hehehe

    Abraço

    • Sérgio Magalhães /

      Massa cara, sempre tem promoção por ai. Comprei os dez primeiros num valor bem bacana. Fica ligado que você acha. Abração :)

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