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StarCraft II: Ponto Crítico

StarCraft II: Ponto Crítico

dez 5, 2014

Sempre que começo a ler um livro baseado em universos vindos dos games me pergunto “vale mesmo à pena?” Digo isso, pois a grande maioria das obras que leio do gênero são de cenários que não tenho o mínimo conhecimento prévio, StarCraft II certamente era é um deles. Bom, antes de terminar a leitura desse “Ponto Crítico”, publicado pela Galera (Record), sabia que o jogo do qual se originou o livro tratava de fuzileiros espaciais contra monstros do espaço, algo próximo ao visto em Tropas Estelares, porém, ao ter contato com o enredo do romance escrito pela excelente Christie Golden – que tem no histórico obras sobre World of Warcraft e Star Wars -, pude conhecer algo bem amplo, profundo, e cercado de sentimentos tipicamente humanos, mesmo em meio à um cenário em conflito, recheado de soldados com armaduras gigantes “mandando bala” em criaturas do espaço!

Vale salientar que este volume foi traduzido vindo de uma série de outras obras já lançadas no mercado americano, e por isso, traz um enredo que já começa como continuação de uma estória em movimento; algo que certamente irá causar estranheza aos leitores menos acostumados ao estilo editorial adotado no Brasil em relação à essas franquias, ou seja, publicar livros do meio de séries contínuas, deixando quem lê sem um inicio, ou fim, determinados no próprio enredo. No entanto, falando de modo geral, não é um aspecto capaz de influenciar sobremaneira a qualidade da leitura, até porque, o enredo à todo momento evoca os acontecimentos dos romances anteriores, ambientando o leitor na cronologia ali presente. Bom, antes de adentrar mais nas nuances do livro, vamos a sinopse:

Jim Raynor e Sarah Kerrigan, protagonistas e guerreiros leais

Jim Raynor e Sarah Kerrigan, protagonistas e guerreiros leais

“Graças à coragem e tenacidade de Jim Raynor e seu fiel grupo de Saqueadores fora da lei, a sinistra líder dos zergs não mais chefia essa legião de alienígenas famintos por sangue, contra os humanos dos planetas do setor Koprulu. No entanto, apesar de a Rainha das Lâminas estar finalmente morta, Sarah Kerrigan — ex-segunda em comando do grupo rebelde liderado por Arcturus Mengsk antes de ele se declarar imperador da Supremacia Terrana — não está. Após ser traída por seu ex-líder, transformada em Rainha das Lâminas e usada para ordenar uma série de mortes através de seus zergs assassinos, Sarah encontra-se enfraquecida como nunca, além de perseguida por Acturus e toda a Supremacia.

Sua única esperança parece ser a mais improvável possível: o Herdeiro Legítimo, Valerian Mengsk, que pode não ser tão parecido com o pai quanto todos achavam. Agora, Jim vai realmente precisar colocar sua força de vontade e lealdade à prova. Deve ele honrar sua promessa e se colocar contra tudo e todos na esperança de que sua amada Sarah ainda seja a mesma de antes? Terá ela se livrado de todos os genes mutantes que a transformaram em Rainha das Lâminas? E, pior, poderá ele confiar no filho do seu ex-líder, a maior traição que já sofreu?”

O enredo começa com Jim Raynor, e seus homens, tendo libertado o amor de sua vida, Sarah Kerrigan, do julgo que a havia transformado na Rainha das Lâminas, a líder dos moZergs. Além disso, o protagonista acabara de matar seu melhor amigo, por esse ter lhe traído e tentando matar a companheira de Raynor. A partir desse acontecimento, o experiente saqueador e sua tripulação buscam uma saída desesperada do planeta infestado de Zergs enlouquecidos, e ainda por cima escapar da fúria opressora do imperador Arcturus Mengsk. Como não poderia deixar de ser em uma obra do gênero, a narração é cercada de aventura e aprofundamento dos personagens, e da trama do cenário de StarCraft. Criando nesse estilo, Christie Golden sem dúvida faz por merecer a fama conquistada após várias obras de sucesso, e do status de Best-selles do jornal The New York Times. Os personagens são bem desenvolvidos ao longo do livro, e o cenário se mantém vivo e atraente ao leitor. É bem o tipo de romance para se ler do inicio ao fim com afinco e diversão em uma tarde descompromissada. Porém, nem tudo são flores aqui…

Hyperion, uma das naves principais do livro

Hyperion, uma das naves principais do livro

Se analisarmos a obra como uma extensão das estórias desenvolvidas para os jogos, e direcionada aos fãs da franquia, o livro é um ótima aquisição e alternativa eficaz para deixar o jovem longe da televisão por algum tempo. Todavia, mesmo o leitor não inserido no universo do game pode aproveitar muito o romance, em especial, quem está começando no gênero fantasia. Porém, a obra peca em alguns pontos, e que podem lhe render injustas acusações por parte de amantes do estilo já inseridos em enredos mais densos e críticos que o visto em Ponto Crítico. Ocorre que, ao se analisar um livro como este, deve se ter em mente o objetivo dele, e o público ao qual é direcionado.

Pensando dessa forma, claro que um leitor com O Nome do Vento (Sextante) , Guerra dos Tronos (Leya), O Poder da Espada (Arqueiro), dentre outros de igual qualidade, enxerguem mais defeitos que qualidades em livros do estilo. Eu, por exemplo, fui muito incomodado ao longo da leitura com a superficialidade das cenas de ação, para mim, fracas e sem movimento. No entanto, deve-se pensar que o leitor para quem a obra foi escrita, não suportaria combates mega detalhados, e que tivessem a pretensão de expressar clima, cenário e histórico de cenas de ação. Em enredos desta natureza tudo é mais rápido, dinâmico, divertido enquanto o game fica de lado por alguns momentos.

Um dos Saqueadores de Jim Raynor se divertindo com monstros alienígenas.

Um dos Saqueadores de Jim Raynor se divertindo com monstros alienígenas.

Falando de minha experiência pessoal em relação ao livro, devo dizer que sempre é uma expectativa muito bacana pra mim ler algo de Christie Golden. Desde Marés da Guerra, primeiro livro de World of Warcraft da autora traduzido à nosso idioma, acompanho com curiosidade as obras dela publicadas no Brasil, e tenho gostado do resultado final de suas criações, até agora pelo menos. Devo confessar um pouco de decepção em relação as leituras posteriores à citada, não por uma qualidade inferior, mas pela manutenção de um estilo que não evolui, pelo contrário, cria e descreve em formulas bem encaixadas para o público juvenil, mas que cansam o leitor exposto à ela por três ou mais obras similares. 
Claro, os aspectos positivos da autora estão todos aqui: o aprofundamento e humanização dos personagens, mesmo em cenários que visam mais aspectos triviais da aventura; diálogos que adiantam o enredo e inserem sentimento ao contexto fantástico da trama; evolução da estória por meio da inserção de nuances esféricas nos arquétipos apresentados; porém, como disse, a autora se acomoda em seu próprio estilo, e deixa seu leitor regular em um lugar comum que cansa ao já conhecedor de livros seus. Mas não se engane, no caso de ser você um leitor em seus primeiros contatos com o gênero, ele vai ser uma boa surpresa pra você, certamente.

6 Comentários

  1. Laura Penteado /

    Nossa Sérgio, que baita surpresa essa que me fez nesta manhã! O site ficou muito lindo, parabéns demais. Faz jus ao conteúdo dele, com certeza. Muito sucesso com a nova página, você merece! Tenho indicado à meus alunos aqui em SP, e com certeza a maioria irá vira fã do baião.

    • Poxa, muito obrigado Laura! Uma das coisas que mais me alegra é sempre receber comentários e noticias da galera que lê desde a época do Azila, assim como você. Muito obrigado pelas palavras, e pode ter certeza que vem muita coisa boa por ai!

      Abraço

  2. Cara, muito bom o texto, como sempre!
    Ainda não conferi o livro de starcraft, mas depois dessa vou dar uma olhada.

    No momento, estou lendo uma indicação sua antiga: O nome do Vento, e o livro é mesmo demais!!!

    • Valeu Luis. Cara, tenho que reler O Nome do Vento, e ler O Temor do Sábio, incríveis as obras. Ainda não tenho na estante, mas vou corrigir isso em breve na Bienal de Dezembro aqui de Fortaleza.

      Abraço

  3. Fernando Couto /

    Olhai rapaz!Ficou incrível o site, parabéns demais garoto, você merece. Agora, basta continuar com o ótimo conteúdo que, não tenho dúvidas, será um dos melhores sites de literatura do país. Siga em frente!!

    • Obrigado Fernandão! Com certeza o Baião irá continuar produzindo, e sempre primando pela qualidade e acessibilidade dos termos relativos à leitura para qualquer pessoa, sem verborragia barata, ou demonstração gratuita de academicismo. O Baião é literatura para amantes da leitura, basicamente.

      Abraço e continue acompanhando :)