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Silvio Santos – Vida, Luta e Glória

Silvio Santos – Vida, Luta e Glória

out 5, 2017

No Brasil, infelizmente, temos o péssimo hábito de não conhecer, e referenciar, nossos ídolos. Aliás, até acontece de vez em quando – sejamos justos -, mas somente após a morte desses, e por pouquíssimo tempo depois do falecimento. Dias depois, as vezes horas apenas, já esquecemos daquele reconhecimento efêmero, e voltamos a rotina normal de abstração de grande parte de nossa cultura em favor, sobretudo, da arte alheia, estrangeira. É anda mais triste pensar nesse aspecto tão negativo quando temos no país figuras tão relevantes, ou mais até -, que aquelas endeusadas pelo tacanho pensamento de colono, dependente social, econômico, e cultural, de produções mais antigas e/ou abastadas que a nossa. Um exemplo bastante claro disso, está centrada na figura de Senor Abravanel (ou Sílvio Santos, como é amplamente conhecido), um judeu de origem humilde que, de um camelô astuto e empreendedor atuante nas ruas do Rio de Janeiro, tornou-se um dos mais conhecidos, e ricos, animadores da televisão brasileira. Além, é claro, de proprietário do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) e de uma série de outras empresas.

Embora seja uma figura unânime na memória dos brasileiros (será que alguém não conhece Silvio Santos no país?) sua verdadeira história não chegou, até hoje, ao senso comum da população de maneira tão ampla e precisa quanto sua atuação em seus famigerados programas dominicais. Na tentativa de corrigir isso, e o tradicional desdém de nosso povo por seus ídolos, a Avec Editora em parceria com as Faculdades Integradas Rio Branco resgataram o quadrinho “Silvio Santos – Vida, Luta e Glória”, famoso por ser a única biografia já autorizada pelo apresentador sobre a história de sua vida. Com texto de Rubens Francisco Lucchetti e arte de Sérgio M. Lima, a revista, publicada pelo selo “Memórias dos Quadrinhos Brasileiros”, tornou-se uma das maneiras mais fáceis, e prazerosas, de conhecer mais a fundo a trajetória de sucesso do inesquecível “homem do baú”.

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O domínio do auditório é uma das habilidades mais admiradas do apresentador

Antes de tudo é preciso dizer que esse quadrinho é uma produção de importância histórica para essa arte no país. Ora, lançado em 1969 pela primeira vez, apresenta em sua arte e enredo uma fase mais romântica e ainda em desenvolvimento dessa produção no país. Seu sucesso na época não apenas demonstrou a força do homenageado, mas também introduziu essa forma de mídia para um público enorme que não era comum no universo nos quadrinhos. Na verdade, a publicação dessa biografia serviu de tábua de salvação para a antiga Editora Prelúdio, que passava por sérias dificuldades financeiras no final da década de 1960, e buscava em histórias apresentadas por Silvio Santos, em sua fase na rádio, para mudar a situação econômica da empresa. Em uma das reuniões para fechar o contrato de quadrinização das famosas “histórias que o povo conta”, também ilustradas por Sérgio M. Lima, o autor se atreveu a pedir autorização para uma biografia  – tabu para o apresentador -, que foi surpreendentemente aceita por Silvo Santos.

Interessante que o material que serviu de base para o enredo do quadrinho foi cedido pelo próprio Silvio Santos ao autor, R.F. Lucchetti, por meio de entrevistas dadas entre uma gravação e outra na Rádio Nacional, mais precisamente por exatos dez minutos ao meio dia. Nesses pouquíssimos minutos – para abranger uma vida tão interessante e rica -, o apresentador descreveu sua infância humilde, porém feliz, e de como ele se destacou na escola apenas prestando atenção as aulas, já demonstrando uma capacidade de raciocínio e observação apuradas. Mais tarde, como ele começou a trabalhar como camelô (devido ao fascínio que esses vendedores ambulantes e suas técnicas de vendas exerciam sobre ele), e entrou para o exército e para a rádio, como locutor de propagandas. Ainda durante o enredo, vamos o Silvio Santos dono de bar, artista circense e porta-voz de campanha política.

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O jovem Sílvio Santos em seus primeiros anos como camelô no Rio de Janeiro

O curioso é que ao longo da sequência de fatos que demarcam a vida do jovem ambulante – futuro empresário de sucesso -, vão surgindo fatos banais, cotidianos, mas que lapidam o caráter empreendedor do protagonista. Não apenas sua vontade incansável de trabalhar e empreender se tornam evidentes no enredo, da mesma forma sua inteligência age para potencializar seus esforços e lucrar mais, avançando onde outros não enxergam a verdadeira preciosidade de certos negócios. Porém, em paralelo a esse lado econômico, o autor preocupou-se em apresentam também um Sílvio Santos humano, apegado a família, obstinado, e corajoso diante das dificuldades. Um baita exemplo de vida que merece ser conhecido, sem dúvidas.

Em suma, esse “Silvio Santos – Vida, Luta e Glória” consiste não apenas em uma leitura que resgata uma época diferente de nossos quadrinhos, mas entretém, informa, e nos faz dialogar com uma história de vida pra lá de inspiradora. Nesse tocante, vale dizer que o enredo para anos antes de Silvio Santos comprar o SBT e formar o seu conglomerado de sucesso. Ela vai até pouco depois dele adquirir o Baú da Felicidade de Manuel da Nóbrega, fato que consistiu uma virada em sua carreira social, cultural e econômica. Assim, podemos afirmar que a revista promove um recorte de um momento essencial da vida do artista, de quando ele fundamentou suas pretensões e demonstrou todo o seu talento – com um pouco de sorte -, que o fez ser uma das figuras mais conhecidas, aclamadas, e bem sucedidas do Brasil. 

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2 Comentários

  1. GERALDO COSSALTER /

    R.F.Lucchetti, preciso e corajoso, conseguiu criar uma das mais importantes obras do mais renomado artista do século XX e XXI de nosso país. Parabéns!

    • Sérgio Magalhães /

      Realmente, se não fosse a coragem repentina dele em pedir autorização para a realização desta biografia, talvez detalhes importantes da vida de um dos nossos maiores artistas ficassem relegados ao esquecimento.

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