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Quarenta Caixões

Quarenta Caixões

jul 10, 2017

Grandes livros são feitos de uma série de aspectos que compõe um todo memorável, e único, responsável por alçá-los ao patamar de clássico da literatura. Nesse sentido, é óbvio que uma história arrebatadora é parte fundamental desse todo criativo. Sem um enredo marcante e empático com o cerne do emocional humano é impossível pensar numa obra capaz de vencer os desafios do tempo, permanecendo enraizada no gosto dos leitores e no cânone das grandes criações literárias. Digo isso, pois, seria lógico pensar que uma história tão profunda fosse composta por uma série de acontecimentos relevantes, cada um deles, digno de nota e reflexão por parte de quem lê. Assim, a somatória de tramas e conflitos desenvolvidos ao longo de uma narrativa seriam as partes de uma obra prima maior, entretendo e dialogando de variadas maneiras com o leitor. Enalteço esse fato, por ser justamente sobre um momento bastante específico de um clássico da literatura universal que trata o quadrinho aqui analisado.

“Quarenta Caixões” (Jambô Editora, 2016) apresenta um pequeno recorte do romance de ficção gótica Drácula (1897), um marco do terror escrito pelo irlandês Bram Stoker e que vem influenciando outras obras há gerações. Dentre os inúmeros conflitos e cenas dramáticas inseridas dentro da tensa narrativa do livro, o quadrinho destaca a saída do vampiro mais conhecido da história, indo da Bulgária para a Inglaterra, em uma escuna conhecida como Demeter. Segundo a sinopse oficial da HQ “No dia 8 de agosto de um ano não revelado da década de 1890, um navio chega no porto de Whitby, na Inglaterra, no meio de uma misteriosa e estranha tempestade. Sem nenhuma alma viva a bordo, o único tripulante encontrado foi seu capitão, morto e amarrado ao leme, segurando seu diário de bordo.”

Uma capa que já demonstra o tom horripilante do quadrinho

Uma capa que já demonstra o tom horripilante do quadrinho

Conforme ressalta a sinopse acima, o enredo começa com a escuna Demeter chegando ao pequeno porto de Whitby, Inglaterra, em um dia claro e agradável, porém, rapidamente transformado em uma horrível tempestade acompanhada de uma neblina de caráter sobrenatural; prenúncio do mal trazido dentro das instalações do navio. Salvo de maneira insólita dos recifes que cercam as proximidades do porto, a pequena embarcação chega as docas apresentando aos locais um cenário de profundo terror, adornado, pela imagem do heroico capitão amarrado ao leme do navio e segurando seu diário, que conta o drama vivido pelos tripulantes ao longo de sua travessia pelo oceano, trazendo nada mais que 40 caixões cheios de terra, e, uma criatura capaz de levá-los a ruína.

Após imergir com eficiência o leitor no clima de suspense proposto pelo enredo, Rodolfo Santullo embarca quem lê no passado da história, revelando como tudo começou e se desenvolveu, em uma escala crescente e dramática de um horror que vai envolvendo os personagens de maneira gradativa, porém, inevitável. Da negação a conclusão sobre a maldição presente no navio, percebemos o conflito e medo entranhado na alma dos tripulantes da escuna, gerando conflitos, incertezas, e pesadelos, em suas almas. Tudo isso, muito bem ilustrado pelo traço premiado quadrinista argentino Jok. Aliás, tanto a arte quanto a narrativa inserida no quadrinho pelo ilustrador privilegiam o clima de horror e suspense que adorna o enredo a todo o momento.

Arte aterrorizante  de Jok sob o texto intrigante de Santullo

Arte aterrorizante de Jok sob o texto intrigante de Santullo

Em suas 48 páginas (coloridas) que passam num “piscar de olhos” de tão boas e imersivas, a dupla Santullo/Jok compõe uma obra que não apenas homenageia a criação de Stoker, mas acompanha seu clima e drama de uma maneira competente e aterrorizante. E mais, enriquecendo a experiência de quem já leu o clássico, preenchendo uma lacuna interessante, no entanto, não explorada com tamanha profundidade no enredo do autor irlandês. Para quem ainda não leu (herege!), a hq apresenta uma ótima introdução ao cenário descrito por Bram Stoker em sua literatura, servido de porta de entrada para o horror trazido à Londres vitoriana em Drácula. Portanto, sendo uma história completa, vale a pena demais por ser um drama composto por um enredo maduro, bem embasado na narrativa de horror, e ilustrada de uma maneira coerente com o drama ali apresentado.

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