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A Guardiã: A Detetive do Sobrenatural

A Guardiã: A Detetive do Sobrenatural

set 15, 2017

A Londres vitoriana do século XIX tem sido, desde a época em questão, fruto de uma extensa e interessante produção literária, que se valeu não apenas de elementos fantásticos que a precederam, mas também de todo o clima e contexto histórico daquele momento, para formar uma ambientação rica, sombria, e instigante sobre criaturas e acontecimentos enraizados como típicos do período. Assim, a cinzenta e urbana capital inglesa, além de uma referência econômica e cultural, tornou-se o centro de uma infinidade de casos insólitos, e refúgio para criaturas capazes de desafiar a razão da sofisticada sociedade londrina. Ora, a leitura de clássicos universais da literatura como: “O Médico e o Monstro” (1985), de Robert Louis Stevenson; “Drácula” (1987), de Bram Stoker; e “Frankenstein” (1831) de Mary Shalley, atestam muito bem esse clima e estilo criado ali, e desenvolvido depois por inúmeros outros livros, e mais tarde, filmes e quadrinhos, mundo afora.

Pois bem, enalteço o tipo literário acima, por ser ele a raiz criativa e conceitual de nosso quadrinho analisado hoje, “Guardiã: A Detetive do Sobrenatural(Avec Editora, 2016). Em suma, Guardiã é uma criação do holandês Robbert Damen que nos leva à uma sombria Inglaterra Vitoriana, onde uma corajosa mulher envolvida com a Scotland Yard desafia os preconceitos da época e ajuda a resolver os casos mais misteriosos. No entanto, o quadrinho vai além disso, expondo uma série de influências do autor, que respira o tom de desenvolvimento de obras da época, trabalhando em paralelo com mensagens duras, e um pouco cruéis, em alguns momentos.

Mais um grande título trazido ao Brasil pela Avec Editora para o deleite dos amantes de quadrinhos

Mais um grande título trazido ao Brasil pela Avec Editora para o deleite dos amantes de quadrinhos

A edição publicada no Brasil pela Avec Editora (com a qualidade de sempre, diga-se de passagem), contém três casos da personagem, que demonstram com sagacidade e competência não apenas o tom da época, ou seja, da Londres vitoriana em pleno século XIX, mas também um enredo que sabe ser rápido, fluido, e envolvente. No primeiro, a jovem agente da Scotland Yard investiga o caso do Sir Godfried, um nobre que adora pintar, e vê-se envolvido numa trama de mortes e ressentimentos do passado. Na trama seguinte, somos apresentados ao drama da Srta. Banning, uma proeminente cantora de ópera, que sofre com a investida de uma criatura mitológica capaz de interromper sua curte e brilhante carreira nos teatros londrinos. Por fim, temos o caso do Doutor Lowe, um ambicioso médico que deseja se apoderar da fortuna de uma rica senhora, porém, seus planos acabam interrompidas pelas forças sombrias evocadas por ele mesmo.

Nas três histórias, Damen cultiva uma série de traços residuais com o estilo desenvolvido da época retratada, sobretudo, em sua literatura. Além de promover uma ligação intrínseca entre história, cultura, sociedade, e elementos fantásticos e/ou mitológicos, trabalha com as consequências dessa insólita mistura, da mesma forma que o fizeram grandes nomes da criação literária, como os já citados mais acima. Assim, os problemas vistos e enfrentados pela protagonista,  conhecida apenas como Guardiã, são gerados não apenas pela presença do sobrenatural no ambiente cotidiano, muitas vezes, é a ambição humana que utiliza esse recurso insólito para desestabilizar a aparente normalidade, como bem retrata do enredo do quadrinho.

Texto e arte ajudam na imersão do leitor no universo de A Guardiã

Texto e arte de Robbert Damen ajudam na imersão do leitor no universo de A Guardiã

Interessante notar também o apego ao contexto social da época, especialmente, suas problemáticas. Ora, é fato que sendo uma mulher naquele período, investigando casos de competência da polícia e outros órgãos responsáveis – sobrenaturais, inclusive -, é claro perceber o preconceito latente contra a protagonista em determinadas páginas do quadrinho. Algo que legitima ainda mais a ambientação ali trabalhada, fortalece a personagem enquanto tipo narrativo, e levanta a questão desse pensamento tão retrógrado e perigoso, em qualquer momento da história. Falando ainda sobre a protagonista, ela vai relevando aos poucos sua origem e habilidades, fazendo quem lê se apegar a sua jornada, e ficar curioso sobre como ela tornou-se uma eficiente investigadora, e portadora de poderes fantásticos. 

Portanto, ler esse “A Guardiã: A Detetive do Sobrenatural” proporciona ao leitor não apenas uma garantia de diversão, mas também a vivência de uma obra embasada em textos de muita qualidade, e que soube não apenas respeitar uma série de influências ali vislumbradas. O clima, ritmo, e narração desenvolvida por Robbert Damen não tardam a enlaçar a curiosidade e deleite de quem lê, vendendo sua ambientação e narrativa de uma maneira competente, sincera, e prática. Assim, prepare-se para acompanhar a jovem investigadora do sobrenatural por suas aventuras mais de uma vez, e descobrir sempre detalhes novos em sua jornada. Isto pois, é impossível ler o quadrinho e não querer revisitar esse universo tão logo. Por fim, só torço para que mais leitores conheçam essa maravilha, e que um novo volume chegue logo por aqui.

Faça como a Guardiã e seus antagonistas e leia o quadrinho

Faça como a Guardiã e seus antagonistas nessa edição e leia o quadrinho dela

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